Teresa Cristina Carreteiro, em “Corpo e Contemporaneidade”,
Nos trás a reflexão sobre os nossos corpos na contemporaneidade. O corpo deixa de ser apenas um invólucro biológico para se transformar em um território simbólico e cultural, carregado de significados e expectativas.
O conceito de corpo-território nos faz pensar no corpo como um espaço de construção identitária, onde experiências pessoais e sociais se inscrevem. O corpo é um campo de batalhas simbólicas, refletindo disputas por poder e controle.
O corpo-viril é marcado pela performance de força e resistência, refletindo a pressão social por uma masculinidade robusta. Essa busca pode levar a comportamentos prejudiciais, como dietas restritivas e exercícios excessivos.
O corpo-excesso, muitas vezes estigmatizado, é visto através de um prisma moral, onde o excesso de peso é associado à falta de controle. Essa visão ignora as complexas interações genéticas, ambientais e psicológicas que contribuem para o ganho de peso.
Idealizado pela mídia, o corpo-beleza valoriza a magreza e a juventude. Esse ideal impõe práticas extremas e danosas, como a vigorexia, onde o desejo de alcançar a beleza ideal se sobrepõe ao cuidado com a saúde.
O narcisismo, amplificado pelas redes sociais, transforma o corpo em um projeto contínuo de aperfeiçoamento. A busca incessante pela validação externa intensifica a angústia em relação ao corpo-excesso, criando um ciclo de insatisfação.
Vivemos em uma era de compulsão e imediatismo, onde o consumo rápido é incentivado. A compulsão alimentar, por exemplo, pode ser uma resposta à cultura de gratificação instantânea, onde a comida se torna um meio de lidar com a ansiedade e a insatisfação.
A produção de subjetividade na contemporaneidade está ligada às representações do corpo. A pressão para conformar-se aos ideais de corpo-viril e corpo-beleza, a estigmatização do corpo-excesso, a influência do narcisismo primário e a busca incessante por afeto contribuem para a emergência e perpetuação dos transtornos alimentares.
1. Carretero, T.C. (1999), Corpo e Contemporaneidade.
2. Sennett, S (2017), Tempos Compulsivos.
Redação: Camila Stamato Marçal. 01 de junho de 2024.




